1.23.2008

Algumas vezes chove uma tempestade tão intensa quanto um pranto, uma chuva constante e torrencial. Há aqueles dias nos quais, derramar-se se faz inadiavelmente necessário, as lágrimas escorrem durante muitas horas, o céu é só revolta, as nuvens descarregam sua ira em trovões, faz-me lembrar um grito de dor moldando a face de um infeliz que perdeu o pouco que tinha, um infeliz sim, porque o momento em que se perde o pouco que se tem parece um momento onde a felicidade se ausenta, em puro contraste com a dor, porque os dois nunca sentam à mesma mesa.
É sempre aí que eu admiro a beleza que reside na tristeza, porque sempre ao mesmo tempo que cai, a tempestade limpa as máculas; uma pessoa triste é amplamente mais sábia, porque a dor comporta aprendizagem, uma carranca amargurada transmite mais confiança, diferente de um olhar zombeteiro de quem, insensível, ri das desgraças alheias. Quem já sentiu dor, sensibliza-se com o cinza-tempestade refletido no olhar de um semelhante. Quem já chorou com dias tristes sabe o valor do seu lugar ao sol.